Por que eu não vou assistir as Olimpíadas

August 10th, 2008 by Renato Lellis

 

Alguém ainda agüenta ouvir falar das Olimpíadas? Eu não.
Tanto esforço para nos convencer que estes serão os maiores, melhores, mais caros jogos de todos os tempos acabaram por saturar a minha paciência.
Mas existem outros motivos para ignorar a festa olímpica além do excesso de marketing:

 

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Esportes demais

Um ser humano normal consegue manter-se informado sobre certa quantidade de assuntos. É fácil encontrar pessoas capazes de dar palpites informados sobre futebol e basquete, mas quem pode discutir trinta e quatro modalidades e sei lá eu quantas categorias?
Sim, porque além dos esportes consagrados como atletismo e natação teremos disputas de trampolim acrobático, softbol e badminton.
Para mim é informação em excesso.

 

Tecnologia demais

Foi-se o tempo em que apenas o talento e disciplina faziam um campeão. Na natação, por exemplo, ninguém pensa em chegar a um pódio se não estiver usando um dos supermaiôs feitos com materiais de alta tecnologia. Exemplos podem ser encontrados em outras modalidades, em bicicletas futuristas, calçados especiais e sem mencionar a sempre presente sombra do doping.
Será que o espírito esportivo já não consegue avançar sem ajuda?

 

Globalização demais

Existem jogadores de vôlei de praia brasileiros defendendo a Geórgia (a mesma república que está em conflito com a Rússia). Este não é um caso isolado, atletas não se prendem mais a seus países, migrando alegremente em busca de melhores condições de vida ou de treino, patrocínios melhores ou a simples possibilidade de ganhar uns trocos a mais.
A velha competição entre nações é coisa do passado, e isto tende a se agravar.
O quadro de medalhas ainda é ordenado por países, mas será que isso vai durar muito tempo?

 

Comércio demais

Houve um tempo em que um atleta olímpico que tivesse seu nome associado a algum tipo de comércio, publicidade ou patrocínio cairia em desgraça para sempre.
Hoje chegamos ao oposto desta situação: o atleta que não estiver associado a alguma marca esportiva simplesmente não consegue chegar aos jogos.
Dizem que o status antigo era resquício de uma época de elitismo no esporte, quando apenas os ricos podiam praticá-lo.
Claro que os atletas têm que ganhar a vida e não dá para esperar que atletas tenham que se sustentar com um emprego em período integral e ainda atinjam índices olímpicos.
Mas será que não existe um meio termo?

 

Política demais

Debates sobre a situção do Tibet, censura à imprensa e poluição  tornaram esta Olimpíada a mais política desde o final da Guerra Fria, quando EUA e URSS disputavam a liderança do quadro de medalhas entusiasmadamente.
Isto sem mencionar todo o esforço para demonstrar que a China é país batuta e não é mais um império do Mao (olha que trocadilho esperto!).
É claro que os jogos sempre serviram de palco para manifestações: nos jogos de Berlim, Hitler tentou usá-los como demonstração de sua raça superior, em 1972 terroristas palestinos cometeram o atentado contra a delegação de Israel e nos anos 80 houve dois boicotes.
Mas não era para ser uma festa do esporte?

 

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