300 + 300 + 300

March 30th, 2008 by Renato Lellis

A época do O Oscar já passou, mas ainda dá tempo de relembrar os bons filmes de 2007.Um dos melhores filmes pipoca em minha opinião foi 300, que foi injustamente tachado de “fascista” por muitos críticos na época de seu lançamento e foi responsável pela frase “This is Sparta!” ter se tornado um dos chavões de 2007.A história trata da Batalha das Termópilas, onde os soldados espartanos enfrentaram a invasão de um exército Persa muitas vezes mais numeroso e resistiram até o último homem.

300dvd


Aí entra minha birra com o “fascista” que os nossos amigos críticos rotularam o filme. A diferença é que os espartanos não se importavam em morrer por sua causa, já os fascistas não se importavam em matar pelas deles. Quando se trata de matar os outros é muito fácil encontrar “istas” dispostos a fazê-los: fascistas, nazistas, comunistas, socialistas, etc. Mas quando se trata de marchar para a morte certa, para defender as suas crenças, em nome do dever ou da honra, a lista é bem mais curta.A Batalha das Termópilas pode ter ajudado a determinar o que a civilização ocidental é hoje, democracia e tudo o mais. Fascismo e comunismo só serviram para matar civis no atacado.Bom, voltando ao filme…300 é uma adaptação quase quadro a quadro da HQ de mesmo nome, escrita e desenhada por Frank Miller, um dos autores mais cultuados do meio.Ambas as obras retratam o confronto entre o imenso exército persa invasor e a pequena força espartana liderada por um dos reis espartanos, Leônidas.O regime espartano tinha dois reis, mas isso não fica claro na abordagem de Miller, assim como muitos detalhes históricos são deixados de lado, tudo em prol de um maior impacto visual.

300HQ

Os soldados espartanos não lutavam de calção de couro, mas com pesadas armaduras de bronze, por exemplo.Como o filme 300 é fiel à HQ ao extremo, as mesmas características são transplantadas.De certa forma, as duas obras servem de complemento uma à outra, mas quem se interessar realmente pelo assunto, deve recorrer a uma obra menos gráfica.Uma boa opção é o romance Portões de Fogo, de Steven Pressfield. O episódio central é o mesmo, a invasão persa na Grécia e a resistência dos espartanos, mas a profundidade é bem maior. A história é narrada para o Imperador Xerxes e sua corte por Xeones, um escravo espartano que estava presente na batalha e foi ferido e capturado pelos persas. Ao narrar a história de sua vida para o imperador e sua corte, temos um panorama da civilização grega e persa e é possível perceber o quanto é estúpido tentar associar “istas” a uma época em que mesmo entre as cidades estado gregas, a política externa se limitava a enviar exércitos quando para escravizar saquear cidades e escravizar a população sempre que a oportunidade surgisse. Nada de ONU por aqui.Xeones também vai ajudar a conhecermos a educação espartana, totalmente voltada unicamente para fins bélicos, o papel dos escravos, a importância da força física no combate, os preparativos para a guerra que todos sabiam ser inevitável e o medo (phobos) que esta perspectiva projetava sobre toda a Grécia.Para quem gosta de épicos, uma história para ser lida de uma vez só e entender o quanto evoluímos em alguns aspectos e em outros nem tanto.

portoes de fogo

Technorati Marcas: ,,

Posted in Livros que já li |

Leave a Comment

Please note: Comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.