Cabeça Tubarão - Steven Hall
January 22nd, 2008 by
Renato Lellis
Cabeça Tubarão é um romance de ficção.
Acaba aqui a parte fácil da descrição deste livro.
Mesmo sendo um romance, com história, personagens e tudo o mais, ele é quase uma “experiência multimídia”.
Além da narrativa em si, desempenham papel importante na condução do enredo a própria tipografia, com trechos que parecem ascii art e outros onde as páginas devem ser viradas para formar uma espécie de desenho animado.
Para se ter uma idéia do tipo de abordagem gráfica do livro, vale visitar os sites oficiais.
Português: http://www.cabecatubarao.com.br/
Inglês: http://rawsharktexts.com/
Mas independente de toda a pirotecnia gráfica ele tem uma história interessante.
Ela gira em torno de Eric Sanderson, que no início da história acorda em sua casa, sem fôlego e sem a maior parte de suas memórias.
Ele encontra uma carta, aparentemente escrita por ele mesmo que o instrui a procurar a Dra. Randle. Ela explicará para o Eric Sanderson desmemoriado que ele sofre de uma forma de perda de memória (amnésia dissociativa) provocada por um trauma: a sua namorada faleceu enquanto eles passavam férias na Grécia (a história se passa na Inglaterra).
No decorrer de seu tratamento, Eric irá receber mais cartas de si mesmo, alertando que sua condição não é uma doença: ele está sendo perseguido por um ludovício, um tubarão conceitual que está devorando suas memórias.
A partir daí ele irá empreender uma jornada para tentar recuperar sua mente, enfrentar seus inimigos e descobrir a verdade sobre seu passado em um enredo cada vez mais complexo e surpreendente.
A história admite diversas interpretações do que está ocorrendo com Eric Sanderon: ele tem uma doença mental? Ele realmente está sendo perseguido por uma criatura? Ele está em algum tipo de purgatório? Este é o tipo de história que deixa com mais dúvidas do que respostas ao final da leitura, e com certeza não é o tipo de leitura que agrada a qualquer um.
Parte do mistério do livro talvez seja explicado pelo seu título original: “The Raw Shark Texts” (“os textos do tubarão cru”), que não faz muito sentido, mas “Raw Shark” tem quase a mesma pronúncia de Rorschach (obrigado Alan Moore!), o nome dado ao famoso teste da mancha de tinta. Neste tipo de teste, um psicólogo exibe manchas aparentemente aleatórias para que o paciente diga o que consegue “enxergar”.
O livro tem esta característica, podemos vê-lo como suspense, história de amor, ficção científica, aventura e outras formas que talvez eu não tenha enxergado. Talvez pessoas diferentes enxerguem coisas diferentes nele.
Recomendado para quem gosta de enredos diferentes e não se incomoda de ficar pensando na história depois do final do livro.
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