e-Crônica #70 - Vergonha Nacional

October 21st, 2007 by Renato Lellis

Brasília: O ministério das Minas e Energia acaba de anunciar que o Brasil acaba de atingir o nível de excelência no fornecimento de uma matéria prima extremamente importante.

O ministro anunciou em uma coletiva da imprensa que o Brasil acaba de fechar um contrato para o fornecimento de 50 milhões de litros desta matéria prima para a China nos próximos cinco anos, alterando completamente o cenário da balança comercial.

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Esta matéria prima tem o potencial para mudar o panorama econômico do Brasil e do mundo. Trata-se da vergonha na cara.

“A China tem deficiência de vergonha na cara, após tantos anos de regime comunista, e estava à procura de um fornecedor para suprir esta demanda, foi uma coincidência muito favorável para o povo brasileiro.”, afirmou o ministro.

A China tem demonstrado uma preocupação crescente com a corrupção de funcionários públicos, a falsificação de produtos, o crime organizado e outros problemas originados pela falta de vergonha na cara.

Como a abordagem tradicional chinesa para estas questões (também conhecida como fuzilamento) não têm mais surtido efeito, o governo chinês abriu uma licitação para compra de vergonha no mercado internacional.

E atualmente o Brasil é o candidato mais capacitado a suprir a demanda chinesa.

“Que outro país, com as dimensões continentais do Brasil, tem tão pouca utilização de vergonha na cara? O Brasil está praticamente sozinho neste negócio.”, previu o ministro.

Jazidas a céu aberto

A “Revolução da Vergonha”, como vem sendo chamada, começou com a descoberta de que que um ser humano normal consegue produzir cerca de 2.920 litros de vergonha ao longo da vida, uma vez que são necessários cerca de 100ml por dia para manter uma rosto média com taxa de cobertura de 85% de vergonha (padrão ABNT para cobertura, em alguns países europeus esta taxa pode ser maior) e que a maior parte do brasileiros simplesmente não utiliza nem um quarto deste recurso ao longo da vida.

“É uma riqueza enorme que era jogada na terra, literalmente.”, afirmou o ministro.

Por ironia do destino, uma das maiores jazidas de vergonha intocada identificada até o momento fica em Brasília.

“Quem iria imaginar que havia tanta vergonha nacional sem uso, tão perto de nós?”, completou o ministro.

Um dos pontos forte da exploração da vergonha é que o processo não agride o meio ambiente, nem concorre com a produção de alimentos ou outras indústrias já estabelecidas.

Uma vez identificada a fonte de vergonha na cara sem uso, basta colher o excesso, em um processo rápido e indolor.

O Brasil tem potencial para produção de mais de 5 bilhões de litros de vergonha virgem por ano.

Perspectivas futuras

“Se o Brasil tem um recurso deste sem uso, tem mais é que compartilhar com os povos que não souberam economizar, temos mais é que ganhar com isso!”. Esta afirmação é do porta-voz da ONG recém fundada Vergonha Brasil, que tem por objetivo, segundo este porta voz, estimular a produção de vergonha em escala familiar.

“Somos contra o vergonhanegócio, a falta de vergonha na cara é uma característica do povo brasileiro, e os benefícios têm que ir para o povo brasileiro, e não para algum conglomerado neoimperialista.”, completou o porta-voz.

A Vergonha Brasil foi inaugurada na semana passada e já tem dois convênios com o governo federal para a educação de produtores familiares de vergonha e 737 funcionários.

“A exportação de vergonha é o futuro, esse negócio de Biodiesel dá muito trabalho”, teria supostamente afirmado o suposto Presidente da República.

O executivo encaminhou para a Câmara dos Deputados uma MP que cria a Secretaria Especial para o Fomento Orgânico da Vergonha nos Estados e na União (SEFOVEU). O objetivo da Secretaria, conforme consta do ofício, “promover a produção e exploração de vergonha nacional com cidania”.

Todos os convidados até o momento recusaram o cargo.

Um dos objetivos da secretaria, segundo fontes do governo é aumentar a capacidade de exportação de vergonha nacional para 100 milhões de litros por ano, criando um superávit primário que permita aumentar os cargos no funcionalismo público e consequentemente aumentar as reservas de vergonha ociosa.

A vergonha é o futuro do povo brasileiro? Certamente. Resta saber como ela será usada.

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One Response

  1. fernando Says:

    muito bom lellis

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