O ovo da serpernte

June 10th, 2007 by Renato Lellis

A capa da revista Veja da semana passada trás a bizarra história dos irmãos gêmeos idênticos Allan e Alex que foram julgados como sendo um negro e um branco por um “tribunal racial” da universidade de Brasília.

A história poderia passar como mais uma anedota da incompetência onipresente do estado brasileiro, se não estivesse ligada a um detalhe interessante e preocupante, o nível de esforço que está sendo dependido para instituir o preconceito racial no Brasil.

YiinYang.jpg

O Brasil sempre foi orgulhoso de sua miscigenação. Aqui nunca houve a segregação oficial, patrocinada pelo estado, como aconteceu na África do Sul, em locais dos Estados Unidos ou na Alemanha nazista.

Mas alguns expoentes da intelectualidade brasileira agem como se isso tivesse acontecido e associam isso ao fato histórico de ter havido escravidão no Brasil.

Os descendentes de escravos teriam uma maior dificuldade de se inserir na sociedade, mesmo após mais de 110 anos da abolição?

Existe preconceito no Brasil? Sim, claro. Como em todo lugar. E ele não se limita à cor da pele. Se procurarmos um pouco, encontraremos preconceito em qualquer lugar. Brasileiros brancos são maltratados em Buenos Aires e em Londres. Brasileiros descendentes de japoneses não são vistos como iguais por japoneses natos no Japão. Africanos de pele negra matam uns aos outros por diferenças étnicas que apenas eles parecem enxergar. A lista não tem fim.

No Brasil não deve ser difícil encontrar pessoas preconceituosas. Assim como o contrário.

Criar uma política de cotas para determinar a obrigatoriedade de contratar x funcionários com este ou aquele tom de pele é tentar resolver um problema que na prática não existe e com o risco de criar outros problemas piores.

O que a Universidade de Brasília tenta fazer com sua política de cotas é uma amostra da Caixa de Pandora que pode estar sendo aberta. Quem pode dizer aonde isto vai nos levar?

Houve escravos no Brasil? Sim. Os pobres de hoje são todos descendentes de escravos ou ex-escravos? Não. Existem brancos pobres, e se os intelectuais deixassem os seus escritórios para enxergar o mundo real, veriam que existem miseráveis com todos os tons de pele. Quem pode dizer que um negro pobre merece mais um vaga na universidade do que um branco pobre? E por quê?

Já que o argumento do Apertheid Brasileiro não sobrevive a uma análise superficial, deve haver outro motivo outros motivos por trás de todo o esforço para criar políticas anti-racistas que na verdade são racistas. Qual seria ele?

Eu aposto na estratégia de dividir para conquistar. Durante a última campanha presidencial, várias linhas divisórias foram esboçadas: ricos e pobres, povo e “elite”, paulistas e o resto do Brasil, brancos e negros.

Quando você consegue traçar uma linha as pessoas tendem a se colocar de um lado ou do outro. Após a divisão estar clara, vem o atrito. As brigas de torcidas mostram que não é necessária muita coisa além de uma filiação divergente para levar as pessoas à violência.

É este o plano? Cria facções e mantê-las em conflito enquanto o show real ocorre nos bastidores?

Não sei, mas de uma coisa tenho certeza: estão brincando com fósforos. Logo alguém vai sair queimado.
Fosforos.jpg


Technorati :
Del.icio.us :

Powered by Zoundry

Posted in Cotidiano |

One Response

  1. Marcos Oliveira Says:

    … este blog morreu ?

Leave a Comment

Please note: Comment moderation is enabled and may delay your comment. There is no need to resubmit your comment.