Blogs x Jornalistas
April 9th, 2007 by
Renato Lellis
O Cardoso escreveu um texto comentando sobre o confronto entre blogs e os meios de informação tradicionais (jornais, televisão, etc).
Ele acredita que os dois podem ser meios complementares, um com a agilidade e opinião e outro com formalidade e confiabilidade.
Em um mundo perfeito, seria assim mesmo.
Em nosso mundo, haverá uma guerra santa contra os “blogueiros” (termo que em minha opinião soa meio depreciativo).
Posso enumerar os três problemas principais.
1- Agilidade
O jornal tradicional ainda não tomou conhecimento da concorrência que enfrenta.
A Internet e a própria televisão fornecem informações cruas com muito mais agilidade do que o jornal, que tem que esperar até o dia seguinte para enviar sua mensagem aos leitores.
Apesar disso, a maioria das reportagens que encontramos num jornal diário é igual à que encontraríamos em um jornal on-line. Às vezes é a mesma notícia.
Por preguiça, comodidade ou falta de visão, a maioria das notícias ainda é elaborada como se estivéssemos nos anos 40.
2- Corporativismo
Uma coisa tipicamente brasileira, o corporativismo é uma forma de ao mesmo tempo controlar certos ramos de ofício e achacar os próprios membros, num círculo vicioso eterno.
É natural que existam associações de advogados, engenheiros e médicos, por que não é qualquer debilóide que pode fazer uma cirurgia cardíaca ou construir uma ponte segura. Mas um debilóide pode perfeitamente escrever um texto sobre TI. E em se tratando de alguns assuntos, só um debilóide poderia escrevê-lo.
Mas isso não era permitido. Até pouco tempo atrás, só poderia assinar um matéria quem tivesse diploma de jornalismo.
Isso sem falar que tempos atrás um fulano quis criar uma associação de escritores ou algo que o valha.
São formas de controlar o acesso ao mercado e aos meios de comunicação, da mesma forma que a OAB faz com seus temíveis exames.
Quem está dentro não quer mais gente entrando. Ou pelo menos o mínimo possível.
Prevejo que uma das frentes desta batalha será a do corporativismo, sindicalismo e seus assemelhados.
Alguém Já criou a ABBEAA - Associação Brasileira de Blogueiros e Atividades Afins? Se não, eu me ofereço para ser diretor-presidente-tesoureiro.
3- Isenção
A última frente da luta entre os blogs e o jornalismo convencional se dará na frente da isenção.
Cito uma frase do post do Cardoso:
“além de ter que filtrar tudo que se pareça com uma opinião”
Bom, em minha opinião, blogs são apenas opiniões. Podemos concordar ou não, mas tudo o que um blog tem, mesmo os melhores, são opiniões do indivíduo que escreve.
Não existem blogs com equipe de campo, equipe de pesquisa, correspondentes internacionais ou algo assim.
Logo o que sobra é apenas a opinião.
E tudo o que o jornalismo (pelo menos no Brasil) não tem hoje é opinião.
Vivemos a era do “suposto”.
Suposto Mensalão, suposta Facção Criminosa, suposto Presidente da República e por aí vai. Ninguém quer se expor e exprimir uma opinião ou algo que chegue perto disso. Tudo em nome da “isenção”
E para manter a “neutralidade” os jornais apelam para truques que beiram a covardia. O grupo político A está na berlinda? Vamos fazer uma matéria sobre a corrupção do grupo político B, para não acharem que estamos alinhados com eles.
O que estes jornalistas não percebem é que não existe 100% de isenção. Ninguém pode ser 100% neutro o tempo todo e manter sua alma intacta. Alguém imagina dar o mesmo direito de defesa ao estuprador e à vítima? Ou talvez alguém propor: “Ah, agora vamos ouvir o lado dos nazistas nesta história do holocausto”?
Mas encontramos este tipo de posicionamento na imprensa atual.
Por este último ponto, podemos concluir que blogs e jornalistas são incompatíveis, mas tudo evolui depois de algum tempo.
Esperemos, como disse o Cardoso, que este seja um processo Darwiniano e os mais aptos se perpetuem. No Brasil, nem sempre é o que acontece.

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