Os 300 de Esparta e os 300 controladores de vôo

April 4th, 2007 by Renato Lellis

Este final de semana fui assistir ao belíssimo filme “300″, baseado na graphic homônima de Frank Miller.

O filme tem uma fotografia primorosa e cenas de ação de tirar o fôlego, mas o seu ponto forte é a história: trata do episódio verídico onde 300 soldados espartanos enfrentaram por uma semana um exército invasor persa com dezenas de milhares de soldados. Milhões, segundo alguns autores.

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Como a esta altura todos já sabem, acho que não vou estragar nenhuma surpresa, mas o rei espartano Leônidas e seus 300 guerreiros são todos mortos ao final da batalha.

É uma história de bravura, honra e obediência ao dever acima da própria segurança e da própria vida.

E não diminua a estatura da história pelo fato de os espartanos terem sido traídos. Eles sabiam que não voltariam ou que as chances disso acontecer eram muito grandes. Tanto que só puderam ir soldados já com filhos homens, para que sua linhagem não fosse interrompida. Era uma missão suicida desde o princípio.

Saindo do cinema tive notícias dos militares brasileiros.

Os 300 controladores de vôo decidiram fazer uma greve (coisa que não é permitida pela lei militar) e tornaram a vida de milhares de passageiros uma tremenda confusão.

Será que é um paralelo muito exagerado associar os espartanos que colocaram o dever acima da própria sobrevivência sem hesitar e os militares que colocam os interesses pessoais acima do dever?

Acho que não.

Se os nossos militares são capazes de fazer greve por salários, do que eles serão capazes se forem enviados para uma batalha contra a morte certa?

Se estas pessoas não têm senso claro do que é seu dever, quem terá?

Fossem os nossos guerreiros a encarar os milhares de persas nas Termópilas, será que eles iriam manter a linha de escudos ou fugiriam? Talvez alguns líderes do sindicato dos hoplitas começassem a gritar “Deixa o Xerxes trabalhar”…

Acho melhor não pensar nestas perguntas. O Brasil a cada dia se torna cada vez mais o país do cada-um-faz-o-que-quer e nesta terra nada mais pode ser dado como certo.

Qual será o próximo serviço essencial a colocar a população como refém? A Polícia Federal já fez greves de advertência. E se os Policiais Militares fizerem uma greve conjunta?

Sobre a próxima crise podemos pensar apenas quando ela ocorrerá, e não se.

Na terra do cada-um-faz-o-que-quer a única certeza que temos é que os problemas virão. Podemos contar com eles.

Assim como os espartanos sabiam com antecedência que os persas viriam. A única diferença é que eles se prepararam.

E tinham um líder como Leônidas à sua frente.

Que em comum com o nosso líder atual tem apenas a inicial e o fato de usar barba.


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