A morte do Capitão América

March 22nd, 2007 by Renato Lellis

 

O Capitão América morreu. Não, não é uma metáfora. Saiu nos grandes sites de notícias.

O personagem faleceu em conseqüência de ferimentos à bala, enquanto se encaminhava para um tribunal.

O heói caído


O azulão nunca foi um dos meus personagens favoritos. Além de ser por demais identificado com os EUA e suas peculiaridades (boas e más), os seus poderes, inimigos, e personagens secundários nunca foram tão interessantes como os dos X-Men, por exemplo.

Apesar disso, nunca deixa de ser chocante quando um ícone histórico tomba, afinal ele estava em circulação desde a Segunda Guerra Mundial.

Este tipo de acontecimento choca por que aproxima o personagem de seus leitores, tornando-os mais humanos. Este movimento pode ter sua origem traçada aos anos 60, quando os heróis deixaram de ser onipotentes para se tornarem criaturas com dúvidas e problemas característicos dos humanos normais. Data desta época o Homem Aranha, sempre às voltas com contas a pagar e problemas com a namorada.

Dramas pessoais sempre dão um toque extra de humanidade extra aos personagens. Todo mundo que já sofreu uma perda pode se identificar com o herói que perde a namorada ou o amigo.

Se a morte de alguém próximo provoca reações emocionais, o que dizer da morte do próprio herói? O auto-sacrifício é em última instância a síntese do deveria ser um herói: alguém que deixa o próprio bem-estar em segundo plano em favor de outros.

Muitas boas histórias  usam este tipo recurso, como a morte da Fênix dos X-Men (a segunda delas), que comete suicídio para evitar que seu alterego maligno e superpoderoso destrua a Terra. Esta é uma das melhores histórias dos anos 80 e influenciou o último filme do grupo.

Volta e meia surgem notícias sobre a morte de personagens de quadrinhos na mídia não especializada, sendo que o caso mais célebre foi a morte do Superman, nos anos 90.

O problema com isso tudo é que as editoras trapaceiam.

O que a mídia não especializada não noticia é que frequentemente os heróis desmorrem na calada da noite.

Além do Superman, vários heróis enganaram a morte, como por exemplo, a já citada Fênix do X-Men (que voltou dos mortos duas vezes, pelo menos), Elektra (namorada do demolidor), Arqueiro Verde, Lanterna Verde (Hal Jordan) e outros menos famosos.

Nestes casos, das duas uma, ou outra pessoa assume o papel do herói caído, ou os escritores inventam alguma explicação meia boca para o fato do fulano ter se tornado um ex-morto. Às vezes, por motivos mercadológicos ou criativos fazem as duas coisas.

É claro que como as pessoas normais não costumam voltar dos mortos com freqüência, quase sempre a explicação para a ressurreição se torna insatisfatória. Clones, viagens no tempo e realidades alternativas são comuns nestes enredos.

Eu não sei até hoje como o Superman voltou dos mortos. Mas a maioria dos fãs não liga porque concorda com as regras deste universo.

Eu acho isto um grande erro.

É claro que as editoras acham que é um bom negócio, pois fazem isto o tempo todo.

O problema é que quando sabemos que a ressurreição é um lugar comum, todo o peso do sacrifício desaparece. Aquele ato final de nobreza se torna apenas um truque. A sensação de perda desaparece, pois sabemos que o personagem irá voltar a qualquer hora.

É um tipo de truque que pode ter sido interessante na primeira ou segunda vez. Hoje é tão manjado e previsível quanto aqueles filmes de terror onde você adivinha quem vai ser o primeiro personagem a ser comido pelo monstro e quem vai sobreviver. Qual a graça?

Não seria mais impactante se os escritores escrevessem boas histórias que tornem o personagem mais profundo ao invés de apelar para a muleta fácil da morte e ressurreição?

Vamos ver o que o destino e os editores reservaram para o Capitão América no futuro. Espero que não seja um clone. Esta não dá mais para agüentar.

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O herói caído

Posted in Cotidiano | 3 Comments »

3 Responses

  1. Eduardo Says:

    aiaiaiai……..
    esse golpe do baú já deu a cota
    aí daqui alguns meses após a morte, ele volta a ativa novamente como já aconteceu umas trocentas vzes
    dai – me paciencia ( e pior de tudo, isso dá grana ainda hj)
    invente algo novo
    please

  2. Eduardo Says:

    isso é uma coisa muito clichê chamada marketink
    nada mais que isso

  3. Eduardo Says:

    alias, entre 1996 e 1997, essa editora (m. comics) zerou as edições dela, pra começar de novo
    eram mais de 200 revista e a última história era o problema do soro do supersoldado que deixou o s. rogers na cama pro resto da vida no final.

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