Bush: Brasil it’s not sale

March 11th, 2007 by Renato Lellis

O Air Force One, avião do presidente dos EUA deve ser a aeronave mais rápida do mundo.

Em sua viagem ao Brasil na semana passada aparentemente ele voou tão rápido que conseguiu abrir uma janela no tempo que trouxe algumas pessoas diretamente dos anos 60 para a São Paulo do século XXI.


Vimos manifestações de rua onde palavras como “luta armada” foram ditas em voz alta e em tom sério. Coisa de outro mundo. Ou de outra época.

Cheguei a esta conclusão após observar vários fatos estranhos:

1- Como é possível que tanta gente não tenha nada a fazer em uma quinta-feira à tarde?

2- Por que estes indivíduos acreditam que as lojas do MacDonald’s são filiais da embaixada americana se os proprietários das lojas no Brasil são brasileiros? Simples, na época deles a rede de fast-food não existia, daí a associação entre a visita de Bush e as lanchonetes.

3- Se uma das queixas dos críticos da visita do presidente americano era que o esquema de segurança iria prejudicar o trânsito, a bagunça na Avenida Paulista não atrapalhou muito mais? Na época deles o trânsito não era um problema tão sério quanto é hoje. Manifestações de rua eram mais comuns e menos incômodas para os não participantes.

4- Para que pichar as avenidas? Claro que antes da internet a única forma de expressão para quem não trabalhava no rádio, televisão ou jornais era a pichação. Era a forma que os “subversivos” (para usar um termo da época) enviavam suas mensagens. E ninguém se preocupava em limpá-las depois.

5- Enquanto boa parte dos brasileiros anseia por fazer negócios com os EUA, os manifestantes acham que o presidente Bush veio “roubar o que é nosso”? Mais uma evidência de falta de sintonia com o mundo moderno. Estas pessoas não sabem a importância do etanol por que o programa de álcool combustível foi criado nos anos 70. E pelos militares ainda por cima.

6- Em um mundo globalizado, onde o conhecimento do idioma inglês está ao alcance da tecla F7 ou do www.m-w.com, como é possível que manifestantes ostentem faixas com “Bush: Brasil it’s not sale” ou “Out Bush”? Claro que nos anos 60 o ensino do inglês não era tão disseminado no Brasil como é hoje. Nas escolas se ensinava latim e francês. E não haviam inventado o corretor ortográfico.

Como podemos perceber, a única explicação possível é que os coitados foram realmente vítimas de uma viagem no tempo involuntária.

Alguém deveria procurar estas pessoas e alertá-las para que, quando voltarem para sua época, não tentem usar o conhecimento que adquiriram no século XXI para alterar a história. Isto pode ser muito perigoso, como qualquer um que assistiu “De volta para o Futuro” sabe.

Espero que a comitiva americana voe mais lentamente no restante da viagem, ou os mexicanos terão que lidar com dinossauros de verdade, não aqueles que usam camisetas do Che, já imaginou o problema?

Bandeira em chamas

Posted in Cotidiano |

2 Responses

  1. Nathalia Says:

    Nossa!
    Dizer apenas que eu concordo em gênero, número e grau seria pouco.
    Já li alguns textos de crítica aos manifestantes, mas esse foi espetacular, completo!
    E é incrível como teve gente mal informada sobre o motivo da visita do presidente americano embora haja tantos meios de comunicação existentes hoje.
    O problema do trânsito é insignificante perto do problema que seria causado se um arranhão acontecesse àquela criatura.
    Mas nem tenho mais o que falar, esse texto já disse tudo.
    Gente, vamos cuidar do nosso “quintal” também!

  2. Luis Fernando Says:

    Muito bom o texto, ainda bem que sou seu amigo.

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